11.25.08

Exposição

Posted in Uncategorized at 02:33 by crim3sp3rf3itos


Esta é a aventura de um homem que durante quase toda a vida tinha tentado fazer tudo o que lhe dava na real gana. Apeteceu-lhe pintar, pintou. Apeteceu-lhe cantar, cantou. Fez filmes, escreveu histórias, gravou discos, teve 1001 profissões porque assim desejava. Foi bom em quase todas, como também as suas artes eram elogiadas por todos quantos tinham o prazer de conhecê-las.
Mas o homem tinha um problema: parecia que toda a sua força se esvaía na produção e nunca chegou a conseguir o passo seguinte, ou seja, passá-las para domínio público.
Com o tempo, as suas aventuras perderam gás, tal como ele perdia sensações, espírito e vontade.
Um dia, daqueles normais com sol e temperatura normais, saiu à rua para beber um café e comprar um maço de tabaco. Tinha passado toda a noite a escolher as melhores coisas que tinha produzido e meteu tudo numa mala bem grande e pesada. Tinha decidido mostrá-las ao mundo.
Satisfeito com a cafeína, parou à beira da estrada para acender um cigarro. Estava algum vento, o que o obrigou a esconder a cara com uma das mãos para tentar manter a chama do seu bic. Um carro cheio de putos vinha muito depressa. Demasiado. E varreu aquele passeio.
A mala voou, abrindo-se quando se estatelou no chão. Mutos papéis voaram enquanto os putos fugiam.
O homem, antes de fechar os olhos, sorriu. Finalmente estava a mostrar a sua obra ao mundo.

11.21.08

reacordar

Posted in Uncategorized at 01:12 by crim3sp3rf3itos

Havia um homem num mundo que ele pensava só dele. Havia só esse homem, mais nenhum. E como ele não tinha a noção de outrém, vivia feliz. O dia a dia era passado entre erva e relva. Entre sol e lua. Entre planície e montanha. Falava com pombos como falava com lagartos. Caminhava o mundo e gostava de reparar sempre no que a natureza modificava sazonalmente.
Este homem, num dia qualquer de uma semana qualquer, teve uma visão: lá ao fundo, mesmo ao fundo de tudo, viu uma sombra igual à sua. Não a entendeu, pois a sombra que via todos os dias era a dele mesmo e estava sempre colada aos seus pés. Essa sombra foi desaparecendo com a luz do dia. Ele correu sempre o limite dessa luz, que lhe fugia uns centímetros cada vez mais à frente, até que as forças faltaram e deixou-a fugir.
Sabia que tinha que dormir, pois a noite assim o ordena e ele não conhecia outra verdade.
O problema era que amanhã, ao raiar da luz, nunca mais nada iria ser igual ao que tinha sido.