04.30.08
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Há um certo mupi por aí, nas vidraças das paragens de autocarro, que é um verdadeiro acto de vandalismo para quem passa. Um amigo de X já sofreu na pele e na vida as suas consequências, tendo ido para o hospital com um ataque qualquer e sido posto na rua pela mulher enciumada.
Esse mupi, ou poster, tem uma menina de bikini e faz alusão a um qualquer produto que promove a perfeição, ou seja, alimenta e faz bem e emagrece quem o escolhe.
X foi a correr ao hospital onde o amigo foi internado. Também tem um poster destes com a rapariga loura de bikini mesmo à saída de casa e, embora fique salivante, não é caso de vida ou morte.
Chegado ao hospital perguntou ao amigo, cheio de tubos e máquinas que fazem plim (alusão a um grande filme), o que se tinha passado e foi aí que K se desbroncou.
“Epá X, não sei. Ficava parado horas a olhar para a rapariga, as suas formas, a sua barriga, o seu sorriso. Fiquei apaixonado…”.
“Mas K, sabes que aquilo é uma pita torneada pelo photoshop, não?”.
K começa a chorar, dizendo que já não sabia nada desta vida. E continuou a sua história.
“Não sei se é photoshop ou não, mas numa noite destas saí de casa. estava vidrado, obcecado pela miuda. Olhei-a durante uns momentos e eis que ela me pisca o olho. Sai do papel e torna-se numa pessoa de pele e osso. Ora era de noite e estava frescote e ela de bikini. Dei-lhe o meu casaco para a proteger e ela deu-me a mão, puxando-me com o vigor que a malta nova tem.”
X estava incrédulo, mas K não era fulano de mentiras. Podia era ter sido uma ilusão devido a uma grande bebedeira, mas não. As análises que lhe fizeram no hospital indicavam que ele estava limpo de tudo, inclusivé na carteira. Pelo que K continuou a relatar, a noite foi longa, cheia de bares e discotecas e um hotel mais ou menos barato. Tinha sido uma das melhores noites da sua vida. O problema é que, quando chegou de manhã a casa, o seu casaco tinha marcas escaldantes e um perfume de pele jovem e foi aí que a sua mulher se passou. K ainda quis que ela percebesse e ainda tentou que ela fosse ver o poster, mas nesse preciso momento teve o tal ataque e caíu sem sentidos. Reacordou no hospital.
X foi para casa, mas passou pela paragem de autocarro próxima da casa de K. Da rapariga, nada, só uma silhueta a negro. Tinha mesmo acontecido.
Foi a correr para casa e espreitou a “sua” paragem de autocarro. Ela ainda estava lá. X ficou a olhá-la durante algum tempo. De repente ela piscou um olho.
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Há um certo mupi por aí, nas vidraças das paragens de autocarro, que é um verdadeiro acto de vandalismo para quem passa. Um amigo de X já sofreu na pele e na vida as suas consequências, tendo ido para o hospital com um ataque qualquer e sido posto na rua pela mulher enciumada.
Esse mupi, ou poster, tem uma menina de bikini e faz alusão a um qualquer produto que promove a perfeição, ou seja, alimenta e faz bem e emagrece quem o escolhe.
X foi a correr ao hospital onde o amigo foi internado. Também tem um poster destes com a rapariga loura de bikini mesmo à saída de casa e, embora fique salivante, não é caso de vida ou morte.
Chegado ao hospital perguntou ao amigo, cheio de tubos e máquinas que fazem plim (alusão a um grande filme), o que se tinha passado e foi aí que K se desbroncou.
“Epá X, não sei. Ficava parado horas a olhar para a rapariga, as suas formas, a sua barriga, o seu sorriso. Fiquei apaixonado…”.
“Mas K, sabes que aquilo é uma pita torneada pelo photoshop, não?”.
K começa a chorar, dizendo que já não sabia nada desta vida. E continuou a sua história.
“Não sei se é photoshop ou não, mas numa noite destas saí de casa. estava vidrado, obcecado pela miuda. Olhei-a durante uns momentos e eis que ela me pisca o olho. Sai do papel e torna-se numa pessoa de pele e osso. Ora era de noite e estava frescote e ela de bikini. Dei-lhe o meu casaco para a proteger e ela deu-me a mão, puxando-me com o vigor que a malta nova tem.”
X estava incrédulo, mas K não era fulano de mentiras. Podia era ter sido uma ilusão devido a uma grande bebedeira, mas não. As análises que lhe fizeram no hospital indicavam que ele estava limpo de tudo, inclusivé na carteira. Pelo que K continuou a relatar, a noite foi longa, cheia de bares e discotecas e um hotel mais ou menos barato. Tinha sido uma das melhores noites da sua vida. O problema é que, quando chegou de manhã a casa, o seu casaco tinha marcas escaldantes e um perfume de pele jovem e foi aí que a sua mulher se passou. K ainda quis que ela percebesse e ainda tentou que ela fosse ver o poster, mas nesse preciso momento teve o tal ataque e caíu sem sentidos. Reacordou no hospital.
X foi para casa, mas passou pela paragem de autocarro próxima da casa de K. Da rapariga, nada, só uma silhueta a negro. Tinha mesmo acontecido.
Foi a correr para casa e espreitou a “sua” paragem de autocarro. Ela ainda estava lá. X ficou a olhá-la durante algum tempo. De repente ela piscou um olho.
04.29.08
gruta
X estava a passear o seu cão na praia deserta, num extenso areal e junto ao rochedo. De repente ouviu um grito vindo de dentro da rocha. O cão foi ladrar e X foi olhar. Uma gruta, havia uma gruta… A entrada era mínima e X tem pânico deste tipo de apertos. O grito transformou-se num gemido prolongado e sofrido. O que fazer? De repente, o cão desapareceu pelo pequeno buraco. X gritou-lhe o nome várias vezes, mas só ouvia os latidos cada vez mais longínquos. Olhou em volta mas não havia vivalma. O que fazer? O pânico instalava-se, mas X tinha mesmo que entrar nas entranhas da rocha.
Passar a entrada já foi difícil e o buraco parecia que se encolhia a cada metro. A falta de ar começava a dar sinal, assim como o terror absoluto. X não gosta mesmo de se sentir apertado. Gritou pelo cão, ouviu latidos muito ao longe. Curiosamente os gemidos tinham parado.
Andar para trás era agora tão ou mais difícil que continuar em frente. Era preciso mais esforço e X esforçou-se e muito. Já não tinha muitas forças para gritar pelo cão e o som parecia que saía abafado para que só ele o pudesse ouvir.
De repente, X ficou preso. Não conseguia mover-se um milímetro sequer. Pensou que era assim. Que maneira mais idiota de ser assim… Que estúpido foi em meter-se no buraco. O ar começava a escassear. A respiração era mais ofegante. X estava quase adormecido.
Num repente surgiu o seu cão. Trazia arrastado um corpo feminino, também ofegante. Perguntou quem estava ali e X respondeu a custo.
O problema agora era outro, pois o corpo de X tapava a passagem para o exterior. O seu cão começou a ganir, percebendo que todo o esforço tinha sido em vão. Mas estava ao pé do seu dono e isso era o mais importante.
As horas passaram. Muitas. Depois foram minutos. O cão lambeu o dono e o dono chorou.
Mas por pouco tempo.
gruta
X estava a passear o seu cão na praia deserta, num extenso areal e junto ao rochedo. De repente ouviu um grito vindo de dentro da rocha. O cão foi ladrar e X foi olhar. Uma gruta, havia uma gruta… A entrada era mínima e X tem pânico deste tipo de apertos. O grito transformou-se num gemido prolongado e sofrido. O que fazer? De repente, o cão desapareceu pelo pequeno buraco. X gritou-lhe o nome várias vezes, mas só ouvia os latidos cada vez mais longínquos. Olhou em volta mas não havia vivalma. O que fazer? O pânico instalava-se, mas X tinha mesmo que entrar nas entranhas da rocha.
Passar a entrada já foi difícil e o buraco parecia que se encolhia a cada metro. A falta de ar começava a dar sinal, assim como o terror absoluto. X não gosta mesmo de se sentir apertado. Gritou pelo cão, ouviu latidos muito ao longe. Curiosamente os gemidos tinham parado.
Andar para trás era agora tão ou mais difícil que continuar em frente. Era preciso mais esforço e X esforçou-se e muito. Já não tinha muitas forças para gritar pelo cão e o som parecia que saía abafado para que só ele o pudesse ouvir.
De repente, X ficou preso. Não conseguia mover-se um milímetro sequer. Pensou que era assim. Que maneira mais idiota de ser assim… Que estúpido foi em meter-se no buraco. O ar começava a escassear. A respiração era mais ofegante. X estava quase adormecido.
Num repente surgiu o seu cão. Trazia arrastado um corpo feminino, também ofegante. Perguntou quem estava ali e X respondeu a custo.
O problema agora era outro, pois o corpo de X tapava a passagem para o exterior. O seu cão começou a ganir, percebendo que todo o esforço tinha sido em vão. Mas estava ao pé do seu dono e isso era o mais importante.
As horas passaram. Muitas. Depois foram minutos. O cão lambeu o dono e o dono chorou.
Mas por pouco tempo.
04.28.08
herói
X tem como super herói preferido um tal de homem aranha. Desde tenra idade que é assim. E sempre teve um desejo que todos os petizes têm, ou seja, super poderes fantásticos e especiais, nobres e poderosos. Voar era um deles, atirar bolas de fogo com as mãos outro. Mas o que mais queria era inventar a armadura que o identificaria imediatamente e o diferenciaria de todos os outros super heróis.
Numa altura em que 20 trolhas entram numa esquadra para bater num coitado, o carjacking aumenta, o roubo de caixas multibancos é fácil e dá milhares, o alberto joão até que poderia candidatar-se nacionalmente e o governo rouba todos os contribuintes descaradamente, X achou que estava na altura para costurar o seu fato e ir à luta.
Depois de tudo pensado, mesmo pedindo ajuda a um costureiro profissional para esconder a barriguita, faltavam apenas os super poderes.
Não era fácil obtê-los, pois X não nasceu com eles, não foi picado por nenhum bicho e não veio de nenhuma galáxia distante. Então teve a ideia que lhe iria conferir todos os poderes possíveis: juntar-se ao mundo do futebol.
A dificuldade só é uma agora: escolher o lado dos dirigentes ou dos árbitros. Todos eles têm super poderes…
herói
X tem como super herói preferido um tal de homem aranha. Desde tenra idade que é assim. E sempre teve um desejo que todos os petizes têm, ou seja, super poderes fantásticos e especiais, nobres e poderosos. Voar era um deles, atirar bolas de fogo com as mãos outro. Mas o que mais queria era inventar a armadura que o identificaria imediatamente e o diferenciaria de todos os outros super heróis.
Numa altura em que 20 trolhas entram numa esquadra para bater num coitado, o carjacking aumenta, o roubo de caixas multibancos é fácil e dá milhares, o alberto joão até que poderia candidatar-se nacionalmente e o governo rouba todos os contribuintes descaradamente, X achou que estava na altura para costurar o seu fato e ir à luta.
Depois de tudo pensado, mesmo pedindo ajuda a um costureiro profissional para esconder a barriguita, faltavam apenas os super poderes.
Não era fácil obtê-los, pois X não nasceu com eles, não foi picado por nenhum bicho e não veio de nenhuma galáxia distante. Então teve a ideia que lhe iria conferir todos os poderes possíveis: juntar-se ao mundo do futebol.
A dificuldade só é uma agora: escolher o lado dos dirigentes ou dos árbitros. Todos eles têm super poderes…
04.27.08
tristeza
Hoje a aventura de X é bastante triste. Portanto X ficou num estado que nem vai escrevê-la.
tristeza
Hoje a aventura de X é bastante triste. Portanto X ficou num estado que nem vai escrevê-la.
04.25.08
sempre!
Hoje é Verão, depois da calamidade inf(v)ernal da passada semana. Portanto, feriado e tudo na praia, graças a deus, pois na verdade Lx parece uma cidade decente com lugares vazios por todo o lado.
A aventura de hoje poderia ter sido várias:
1ª X ia a passear o seu quadrúpede canídeo quando uma rapariga já despida para o Verão se lhe aproxima, chega-se ao bicho e disse-lhe “opá, que quiduxo!”. X reflectiu, reparou na pele desnudada e deveria ter dito aquilo que qualquer macho nesta situação responderia e aproveitaria. Mas não. Era a hora do bicho…
2ª X começou a ver imensos vizinhos, daqueles que até são lojistas na zona, com cravos vermelhos. Mesmo muito vermelhos, tipo de plástico. Depois pensou nas palavras do Cavaco sobre o estado actual da ignorância sobre a data e a sua importância. Preparou-se com afinco para ir ver o que se passava nas manifs, mas estava demasiado calor. Ficou em casa, à sombra.
3ª X preparou-se para iniciar o seu primeiro romance. Teve a ideia, mas os treinos livres da Formula 1 e depois os a sério na GP2 onde o nosso Álvaro Parente conquistou o segundo lugar para a sua primeira corrida, fizeram despertar em X aquela bandeira nacional que nunca chegou a comprar a mando do brasuca. Foi-se a ideia do romance, ficou a vontade.
4ª X preparou-se com afinco para o post de hoje, com 25 aventuras. Mas depois reflectiu. Muito. E chegou a uma marosca: das 25 passou só a estas quatro, visto que quatro é o número do mês do dia 25.
Bom resto de feriado para quem o tem e boas horas extraordinárias, para quem ainda as recebe.
sempre!
Hoje é Verão, depois da calamidade inf(v)ernal da passada semana. Portanto, feriado e tudo na praia, graças a deus, pois na verdade Lx parece uma cidade decente com lugares vazios por todo o lado.
A aventura de hoje poderia ter sido várias:
1ª X ia a passear o seu quadrúpede canídeo quando uma rapariga já despida para o Verão se lhe aproxima, chega-se ao bicho e disse-lhe “opá, que quiduxo!”. X reflectiu, reparou na pele desnudada e deveria ter dito aquilo que qualquer macho nesta situação responderia e aproveitaria. Mas não. Era a hora do bicho…
2ª X começou a ver imensos vizinhos, daqueles que até são lojistas na zona, com cravos vermelhos. Mesmo muito vermelhos, tipo de plástico. Depois pensou nas palavras do Cavaco sobre o estado actual da ignorância sobre a data e a sua importância. Preparou-se com afinco para ir ver o que se passava nas manifs, mas estava demasiado calor. Ficou em casa, à sombra.
3ª X preparou-se para iniciar o seu primeiro romance. Teve a ideia, mas os treinos livres da Formula 1 e depois os a sério na GP2 onde o nosso Álvaro Parente conquistou o segundo lugar para a sua primeira corrida, fizeram despertar em X aquela bandeira nacional que nunca chegou a comprar a mando do brasuca. Foi-se a ideia do romance, ficou a vontade.
4ª X preparou-se com afinco para o post de hoje, com 25 aventuras. Mas depois reflectiu. Muito. E chegou a uma marosca: das 25 passou só a estas quatro, visto que quatro é o número do mês do dia 25.
Bom resto de feriado para quem o tem e boas horas extraordinárias, para quem ainda as recebe.
04.24.08
mar
Ontem X teve uma aventura com o seu PC e que aventura foi. O PC pede desculpa pela marosca e por ter obrigado X a gastar tempo precioso com as suas entranhas.
Mas hoje é um novo dia e para isso, X vai contar a sua primeira aventura no mar.
Imaginem X no mar, daqueles sem terra à vista, escuro e revolto com vagas de sete metros. Bem vistas as coisas, X deveria estar à deriva numa qualquer embarcação ou, pior, dentro de água lutando pela vida. Vamos então seguir esta segunda hipótese.
X está a lutar pela vida num mar escuro, revolto e sem terra à vista. Começa a ficar cansado, dormente pelo frio, mesmo sendo um excelente nadador. A forte ondulação não lhe permite fazer a posição de “homem morto”. Engraçada esta situação… não pode fazer de homem morto, mas se não descansar nessa posição será um homem morto.
De repente, e para piorar a situação, algo lhe toca nos pés o que o enche de medos e receios. Uma imensa lula surge-lhe pela frente, vinda das profundezas deste mar, e olha-o com um olho gigante, preparando-se para puxar X para o fundo do mar. X, que comeu tanta lula durante a vida, nunca imaginou que a sua terminasse deste modo.
Entretanto, o bicho já tinha um tentáculo enrolado nos seus pés e X começou a sentir a sua força.
Mas num repente, apareceu um fulano num turbilhão de água e nuvens que se misturavam com a sua imensa barba e corpo. Era o Adamastor e queria salvar X, pois desejava limpar o seu bom nome para sempre destruído às mãos de um poeta.
A luta foi terrífica, quase hollywoodesca e, finalmente, a lula lá soltou X e fugiu com quantos tentáculos tinha.
O Adamastor, cansado, ainda tinha um recado para X: “vai lá dizer aos homens que, afinal, eu sou uma boa personagem” e, tal como surgiu, desapareceu.
X ficou imensamente feliz… mas depois deu-se conta que estava exactamente na mesma posição anterior a toda esta peripécia.
mar
Ontem X teve uma aventura com o seu PC e que aventura foi. O PC pede desculpa pela marosca e por ter obrigado X a gastar tempo precioso com as suas entranhas.
Mas hoje é um novo dia e para isso, X vai contar a sua primeira aventura no mar.
Imaginem X no mar, daqueles sem terra à vista, escuro e revolto com vagas de sete metros. Bem vistas as coisas, X deveria estar à deriva numa qualquer embarcação ou, pior, dentro de água lutando pela vida. Vamos então seguir esta segunda hipótese.
X está a lutar pela vida num mar escuro, revolto e sem terra à vista. Começa a ficar cansado, dormente pelo frio, mesmo sendo um excelente nadador. A forte ondulação não lhe permite fazer a posição de “homem morto”. Engraçada esta situação… não pode fazer de homem morto, mas se não descansar nessa posição será um homem morto.
De repente, e para piorar a situação, algo lhe toca nos pés o que o enche de medos e receios. Uma imensa lula surge-lhe pela frente, vinda das profundezas deste mar, e olha-o com um olho gigante, preparando-se para puxar X para o fundo do mar. X, que comeu tanta lula durante a vida, nunca imaginou que a sua terminasse deste modo.
Entretanto, o bicho já tinha um tentáculo enrolado nos seus pés e X começou a sentir a sua força.
Mas num repente, apareceu um fulano num turbilhão de água e nuvens que se misturavam com a sua imensa barba e corpo. Era o Adamastor e queria salvar X, pois desejava limpar o seu bom nome para sempre destruído às mãos de um poeta.
A luta foi terrífica, quase hollywoodesca e, finalmente, a lula lá soltou X e fugiu com quantos tentáculos tinha.
O Adamastor, cansado, ainda tinha um recado para X: “vai lá dizer aos homens que, afinal, eu sou uma boa personagem” e, tal como surgiu, desapareceu.
X ficou imensamente feliz… mas depois deu-se conta que estava exactamente na mesma posição anterior a toda esta peripécia.
04.22.08
topo
X inventou a fórmula para uma sociedade perfeita, em que todos ficam a ganhar, onde não há lugar para inveja, ataques pessoais ou profissionais, de vão de escada ou labirínticos.
X ainda não tem a patente, mas resguardou esta sua ideia nos confins do seu cerebelo.
Contudo, depois de pensar um pouco, achou por bem democratizar a sua fórmula aos leitores das suas aventuras diárias.
É fácil, será barato e daria milhões.
Cá vai:
Há o ditado que diz que tudo o que sobe, desce. Há a máxima que garante que quanto mais se sobe maior a queda. Então, porque não assumir que, uma vez no topo, ninguém ou nada poderá caír?
Assim dar-se-ia espaço de manobra a todos quantos não conseguem subir, garantindo uma ascenção facilitada, dependendo logicamente da inteligência dos requerentes e abrindo oportunidades várias e múltiplas.
Assim todos chegariam ao topo.
E que bom seria.
04.21.08
papelada
X aventurou-se às portas do céu para pedir uma audiência a quem manda de verdade. Depois de esperar na longa fila, chegou a sua vez e, à frente de D perguntou qual era realmente o sentido da vida. D, coçando a sua longa e farta barba, respondeu que tinha que reunir com os consultores, pois era uma questão muito difícil e que havia algumas teorias sobre o assunto. Prometeu a X que lhe enviaria a resposta num prazo máximo de 30 dias úteis.
X ficou chateado e decidiu descer as escadarias para pedir uma audiência com D2. A fila ainda era mais longa mas, depois de muito tempo, lá chegou a sua vez. À questão de X, D2 ficou mais vermelho e coçou durante algum tempo a sua barbicha. Também não tinha resposta imediata, pois havia várias teorias. Mas tentou descansar X afirmando que uma resposta chegaria via CTT num prazo de 30 dias úteis.
X foi para casa e aguardou um mês. No último dia, chegaram duas cartas, contudo nenhuma trazia uma resposta. Em vez dela, duas comunicações que respondiam que a questão de X tinha sido arquivada…
04.20.08
cem
X ia a passear numa ruela quando reencontrou o seu amigo mago que lhe tinha concedido três desejos tempos atrás. Depois dos cumprimentos e saudosa euforia, X perguntou-lhe o que andava a fazer por ali.
A resposta foi uma surpresa “olha X, tu realmente tens uma sorte dos génios: vim encontrar a centésima pessoa a quem darei novos desejos. E imagina quem é? Tu.”
X ficou mudo de espanto pois a sorte parecia tê-lo abandonado nos últimos anos. “Incrível… e agora?”. “Agora tens que escolher três desejos e que cada um contenha 100 movimentos, ideias, brincadeiras ou o que quiseres.”
“Porquê 100?” inquiriu um X ansioso mas já preocupado em conseguir tornar esses três desejos em 300 mais pequenos. A resposta do mago foi muito simples “Porque esta é a tua centésima aventura neste blog!”.
X riu-se e pediu três minutos para pensar.
“Ok, acho que já tenho o primeiro: que cada amante dê 100 beijos na sua paixão”.
“Ó X, isso é um bocado fatela, mas tu é que sabes” gozou o mago e com um “puff” de poeira mágica, o desejo estava concedido.
“O segundo é mais egoísta, mas se for possível poderei ajudar muita gente… quero 100 milhões de euros”
O mago gostou deste pedido, pois sabia que X era homem de palavra e que gostava de ajudar os que precisavam de alguma sorte na vida. Num repente, e com um trovão, estava uma mala ao lado de X.
X sorriu, mas não tinha mais ideias para concretizar 100 vezes. Pensou, pensou e, num repente, virou-se para o mago e afirmou que já sabia qual seria o terceiro desejo.
O mago esperou, enchendo o peito de ar mágico e preparou-se para este seu último passo.
“Quero que me venhas visitar 100 vezes, três por ano até um de nós desaparecer!”
O mago deu uma forte gargalhada e respondeu que sim, que o faria. “A tua vontade será feita e terás sempre seis desejos por ano. Mas não abuses. E proponho uma condição: nunca poderão ser repetidos!”
Com um tufão, desapareceu, deixando X e a sua mala na ruela. Logo a seguir, X correu para a sua paixão para lhe dar 100 beijos. Algo fazia com que ele corresse mais depressa sem se cansar. E muito correu X.
04.19.08
grafonolas
X passeava por uma Feira da Ladra já quase terminada. Mais uma vez não tinha conseguido levantar-se de madrugada, mas mesmo assim decidiu meter-se na já pequena confusão. X adora este largo e nem se importaria de mudar para aqui, mas as Terças e Sábados são, realmente, uma confusão.
X vasculhava por entre as bugigangas e outras tralhas quando se deparou com uma grafonola antiga, linda, de madeira e metais dourados. Perguntou o preço e riu-se da resposta. O dono, que já queria era ir embora sem mais aquele peso, acertou para meio o preço e X aceitou.
Ao chegar a casa reuniu alguns vinis originais que tinha comprado a um primo, ainda pesados e quebradiços como vidro. Colocou a grafonola no centro de uma mesa, pousou o disco, deu à manivela e baixou a agulha.
De repente, com a música, a grafonola debitou uma luz que projectava os intérpretes e a respectiva orquestra como se de um filme antigo se tratasse.
X ficou atónito. Repetiu a operação com os outros discos e a grafonola continuava a projectar na parede todas as ambiências vividas nessas gravações. X convidou alguns amigos e nenhum quis acreditar, pois todos sabem que X é um gadget freak e teria feito da grafonola um projector de video. Mas e as imagens? Saíram todos discutindo youtubes e afins, deixando X sózinho sem saber se ria ou chorava.
No dia seguinte dedicou-se à compra de vinis antigos. E foi encontrando raridades. Tinha encontrado o seu tesouro. E de tesouro em tesouro foi descobrindo sorrisos de quem cantava, dos ritmos vários das orquestras, dos magníficos solos dos músicos.
Era assim que devia ser a música hoje.
04.18.08
temporal
Para aproveitar o temporal que se tem sentido e vivido, principalmente em Lx, há inúmeras actividades que se podem fazer. X pensou e escolheu uma das possibilidades. Usando o seu guarda-chuva tipo golfe, subiu ao telhado e abriu-o. Num instante estava a voar a 120 km/s hora, tenho ultrapassado o rio sem pagar portagem e chegar ao Barreiro em menos de 5 minutos. Aí bebeu um copo, enxaguou-se e preparou-se para outra viagem. Chegou a Porto Brandão, comeu uns belos grelhados, depois muniu-se de uma espécie de leme, pois o caminho de regresso, contra o vento, teria que ser feito aos ziguezagues. Assim o fez, chegou à sua cidade e, de colina em colina, foi avisando os bombeiros e a protecção civil das eminentes derrocadas de prédios abandonados e árvores em mau estado.
Deu-se satisfeito pelo trabalho realizado e, tal e qual a Mary Poppins, desceu com suavidade até à entrada do seu prédio. Estava na hora de passear o cão. Atou-lhe uns cintos e ambos partiram a voar para os melhores jardins da cidade.
04.17.08
duas vidas
X estava entusiasmado a fazer o seu próprio robot, quando leu as novidades tecnológicas respeitantes a peles sintéticas e materiais mais leves que os que estava a utilizar.
X queria estar em dois lugares ao mesmo tempo e o robot seria a solução ideal. Foi ao mercado, comprou as novas ligas, peles e demais acessórios e recomeçou.
Alguns meses passaram com trabalho árduo, pois X não tinha ninguém que o ajudasse neste processo quase secreto, até que o robot ficou pronto, quase semelhante e quase perfeito.
Faltava apenas juntar-lhe toda a informação indicada para as tarefas a cumprir e bastou para isso encher a memória dinâmica com os dados necessários.
Quando chegou o primeiro dia de trabalho do robot, X tropeçou nuns cabos, bateu com a cabeça e ficou imóvel num coma profundo. O seu robot tratou dele, deitando-o e ligando a máquinas de vida artificial que construíu num instante. Sabia quais as suas funções e a principal seria estar num outro local diferente do de X. Então o robot começou a construír um novo robot que ficou quase semelhante e quase perfeito.
X ainda está ligado às máquinas, mas vive duas vidas em diferentes pontos do país.
04.16.08
fado
X comprou uma guitarra portuguesa. Ou será portugueza devido ao tempo que tem? Acontece que X nunca soube tocar guitarra, quanto mais uma nacional. Mas tem o espírito. Encontrou uma fadista rebelde que nada percebia de fado. Era por isso que era rebelde. X, entretanto, sacou uma data de malhas de cds e mp3 de guitarra portuguesa. Grandes solos, grandes virtuosismos, grandes acordes, grandes malhas. No seu estúdio pessoal, a que chamam homestudio, gravou e editou tudo como se fossem canções. A fadista vinha ensaiar e olhava com espanto para a extrema técnica de X, ou seja um fabuloso playback que ensaiou até os dedos ficarem em ferida.
Junto dos amigos tiveram um enorme sucesso. Até que foram convidados para fazer noites numa conhecida casa de fado em Alfama.
Tudo estava sob controle, pensou X. Ligou à tomada o seu gravador digital, sentou-se na cadeira e reparou que não havia microfone para a sua fadista. Nem para a sua guitarra. Ausentou-se daquilo que chamam palco para ir falar com o técnico de som e alarmou-se pelo facto de ele lhe ter dito que era tudo a capella.
X ficou angustiado, mas não podia andar para trás. Informou a fadista das condições e preparou-se com as unhas postiças.
De repente tudo começou e X, devido a tanto ensaiar o playback na perfeição, conseguiu tocar tudo como um verdadeiro guitarrista.
A sua fadista não percebeu a diferença, nem as dezenas de convivas que aplaudiram de pé o último encore.
04.15.08
medo
Esta é a aventura de um homem que tem medo. Medo de perder, medo de ficar, medo de ir. Medo de tudo e de todos. A vida dele é, por vezes, uma autêntica rotunda com várias saídas em que ele se mantém a dar voltas.
Para ele, qualquer saída pode ser traiçoeira, pode ocasionar problemas, pode mudar para sempre a sua vida. E, por isso, vai continuando a dar voltas na rotunda, provocando uns acidentes aqui e ali, estafando-se com a concentração de evitá-los contra ele próprio, roendo as unhas até que tome uma decisão.
Este homem, num dia destes, tomou uma decisão. Foi por ali, onde a seta indicava o percurso. Foi ao desconhecido e não sabia o que iria encontrar.
Quando chegou ao destino, encontrou algo de bom, quase com a pureza de um limão. Viu um futuro, aceitou os desvarios.
Mas, passados uns tempos, eis que chegaram novamente as dúvidas, os medos e os próprios confrontos.
Conseguiu resolvê-los um a um, mesmo alguns mais difíceis. E agora que o fez só tem um outro e novo medo: o de ter perdido alguma coisa de bom na sua vida por causa dos medos que a sua vida continha..
04.14.08
aventura
Uma aventura pode ser vivida sem o sabermos, pode acontecer sem a percebermos, pode dar-se sem a notarmos. Mas é sempre uma aventura. Ao saírmos de casa podemos conhecer alguém que nos vai ser importante, podemos ser polícias atrás de ladrões, podemos divertirmo-nos sem estar à espera ou desiludirmo-nos com o que tanto ansiávamos.
Uma aventura é sinal que se está vivo. Ou, no mínimo, acordado. É uma aventura pegar no carro e ir por aí, como também o é ficar em casa e escrever um poema. É tentar um prato novo para o saboreamos a dois ou a muitos. É beber um pouco mais que o necessário e ficar mais liberto das convenções sociais. Uma aventura é, acima de tudo, liberdade. Mesmo nos tempos em que ela nos foge. Uma aventura é uma aventura, já dizia um filme.
E continuará a sê-lo enquanto quisermos. E temos forçosamente de querer.
Senão somos uns desafortunados ou desventurados. E dessas histórias já estamos fartos.
04.13.08
ódio & paz
X já conheceu muita gente doente. Essa gente também o infernizou, colocando um virus no seu sistema nervoso central. Esse virus ataca a razão, destaca a preocupação e desmente a verdade. É um virus tramado que permite que quem o colocou saia mais ou menos impune das porcarias que vai fazendo ao longo da sua medíocre existência. X tem, contudo, um amigo que faz colecção de anti-virus. E, com ele, foi-se curando. Ao ponto de nem se chatear quando alguém doente, pela calada da noite, tenta destruír pertences que julga que pertencem a X.
Este amigo, para além de ser conhecedor da razão, é um ímpar que nos abre os olhos, que nos diverte com o desconhecimento das pessoas que têm a virose e que nos faz sorrir com pena por e de quem nos causa o mínimo transtorno.
X conheceu este amigo há muitos anos, na altura em que tudo era simples e conciso. E está a reaprender com ele essa antiga verdade e vontade de viver a vida. De uma forma simples, sem calafrios e muito menos preocupações menores.
A verdade vem sempre ao de cima. O desconhecimento, a inveja e a tristeza também.
Este amigo de X, que prefere ficar no anonimato para quem nunca terá a possibilidade de o conhecer, é mais que um deus. É mais que uma ordem. É mais que uma vontade.
É apenas a razão e, mesmo rezingão, diverte-nos quando nos sentimos violados e fornece-nos algo que não tem preço: uma nova aventura. Mesmo de cinco minutos que é, afinal, o tempo que o mal tem para se fazer e se dar a reconhecer.
04.12.08
vingança
Esta é a aventura de uma pessoa que nada tinha na vida a não ser uns quantos momentos de felicidade que conseguia quando se vingava. Vingava-se de tudo e todos, de todas as formas e feitios. Mas mesmo na vingança, em que se tem obrigatoriamente que se ser inteligente, não o era. E toda a gente sabia de quem era a autoria de certas coisas um pouco fora do comum.
A história é triste. Mal nasceu, vingou-se dos nove meses de encarceramento, fazendo logo um longo xixi na barriga da mãe. Os tempos de jovem foram complicados, sem nunca saber a que grupo pertencia. Depois, já adulta, escolheu a máxima da Coca-cola, mas se se estranhava no início, não se entranhava nos seguintes. E depois, odiando-se a si própria, vingava-se nos outros.
Quando envelheceu, teve alguns problemas de relacionamento consigo própria até que inventou um companheiro invisível. Falava e conversava com ele, mas a pouco e pouco, até este personagem inexistente se começou a fartar dela. As discussões aumentaram, os gritos também e ninguém a conseguia ajudar. O golpe final foi dado quando o companheiro invisível, farto de loucuras, também se tornou vingativo e foi-se embora para sempre.
04.11.08
chat
Y e os seus grandes comparsas T e J trabalham juntos na mesma sala e combinaram um jantar só de homens e noite a condizer. Iniciaram as conversas pelas 19h, fazendo tempo para irem jantar, o que aconteceu por volta das 21h. As discussões animadas e os sorrisos francos de amizade contagiavam as outras mesas e, por sinal, as mulheres das outras mesas. Eles repararam, mas um trato é um trato e depois de bem regado é quase uma jura eterna. Saíram do restaurante pela meia noite e começaram a circundar os bares da zona, acabando por tomar outra decisão e escolher uma zona mais calma e com mesas vazias para continuar as discussões que versavam temas aleatórios e aventuras várias.
Já eram 4 da manhã quando perceberam que se tinham que levantar cedo para a jorna do dia seguinte. E despediram-se com um até já, o que ocasionou algumas gargalhadas logo seguidas por sentimentos de culpa.
Pelas 9 chegaram ao emprego. disseram bom dia e agarraram-se aos computadores.
Cada um abriu o MSN e foi por aí que falaram de todas as peripécias da noite anterior.
Na sala reinava um silêncio quase absurdo…
04.10.08
amanhã
X acordou com o seu braço biónico sem energia. Deslocou-se às urgências da fábrica-hospital mais próxima da sua área de residência, tirou uma ficha com o outro braço e sentou-se sabendo que iria ser um dia perdido. Com o seu olho gravador/retransmissor, decidiu ver alguns programas tv que tinha gravado enquanto dormia, séries muito antigas como o Heroes e o House fizeram-no reviver as memórias de outros tempos e outro mundo.
De facto, os jogos olímpicos de Pequim no início do Séc XXI despoletaram toda uma guerra de palavras e acções de protesto que rapidamente se transformaram na grande 3ª guerra. A China foi varrida do mapa e muitos dos seus sobreviventes fizeram plásticas para se assemelharem aos europeus, com um medo terrífico de serem descobertos e degolados em praça pública. Mas isso foi há muito tempo. A robótica já extremamente avançada a meio dessa primeira década, curiosamente liderada por portugueses, ajudou quem perdeu membros. Os opiácios quem perdeu a razão e toda uma nova ordem político-cultural quem perdeu o país.
Da noção de Big Brother passou-se para Big Order e o estado de sítio era permanente. O dia nunca mais se viu devido às nuvens de chuva ácida que, desde as bombas, pairavam na biosfera.
Não havia controlo polícial, pois em todos os sobreviventes foi colocado um chip que assinalava tudo o que faziam e por onde andavam. A população não estava envelhecida, pois os mais velhos não tinham resistido à guerra nem os poucos sobreviventes posteriormente ajudados. Pílulas de vitamínas várias e shots de antibióticos processados geneticamente, faziam com que quem tinha 30 anos no dia final, continuasse sempre com 30 anos.
X tinha pouco mais de 40 e por pouco se safou de ser considerado inútil para a sociedade. O seu emprego forçado foi o de tocar no botão de alarme na Grande Sala de Controlo da Vontade e Existência se algo acontecesse.
Tudo estava perfeitamente organizado. E foi aí que X teve acesso a documentos secretos, um pouco por sorte devido à interferência do seu chip informativo com o de um General que passou muito próximo dele e que ia a caminho de um check-up. Um dossier que se intitulava “Resistance” ficou memorizado no chip do cerebelo de X.
E a aventura humana recomeçava.
04.09.08
luta
X ouviu o rugido. Vestiu a armadura e atirou-se como o mais valente dos homens. Estava mesmo no centro da besta que desferia golpes com uma força incrível. Levantava-o, fazia voar e rodopiar, o barulho era ensurdecedor. Mas X batalhava, tinha que pôr fim à besta. Tentava travá-la, mas ela continuava na sua fúria, galgando quilómetros e deixando um enorme rasto de destruição. X estava cada vez mais cansado mas continuava a abrir os braços, a tentar travá-la.
O barulho era cada vez maior e a besta cada vez lhe atirava com mais coisas, detritos, árvores, tudo. Golpes atrás de golpes. A armadura de X estava lentamente a desintegrar-se e, num repente, tudo parou. X, caído no chão, deixou que o cansaço se apoderasse dele durante um bocado e deixou-se embalar pelo sono profundo.
Quando acordou olhou em volta. Parecia o fim do mundo. Mas tinha a certeza de ter morto a besta.
04.08.08
alagados
Esta é a aventura de uma Lisboa alagada. Chove torrencialmente desde Abril de 2008. Apenas passaram dois anos para metade de Lisboa ser engolida pelo Tejo. Os carros danificados amontoam-se para os lados de Alenquer e ainda há muitos dentro de garagens submersas. Os rés-do-chão e muitos 1ºs andares deixaram de ser habitações. Todo um programa nacional de urgência foi posto em acção e em causa, pois logicamente falhou.
X, como muitos, vivia e vive acima desta tragédia. Mesmo assim, comprou uma barcaça com um motor de 12 cavalos que lhe serve perfeitamente para as deslocações mais complicadas. Tudo agora é feito em casa, através da internet. As empresas optaram por esta solução em vez de obrigarem os empregados a deslocações quase impossíveis numa base diária. De qualquer forma, os novos ricos serão sempre novos ricos e os BMs e os Mercs e os Jaguares e etc, são agora grandes lanchas com motores de 250 cvs a abrirem por entre as ruelas e avenidas de Lisboa.
De Carjacking passou-se agora para a pirataria pura, a que deram a designação de boatjacking.
O problema é a alimentação. Passámos a importar quase tudo e a base são agora algas e peixe o que fez com que a obesidade a que se assistia em Portugal desaparecesse.
Santarém perdeu-se para sempre, assim como Alcântara e parte de Algés, a Expo e quase metade da zona ribeirinha.
Mas no meio de tudo isto, alguém ainda encontra motivos de felicidade e prazer, como andar num barco a remos com a sua amada protegida por um guarda-chuva.
04.07.08
correntes
Num dia ventoso como o de hoje, X decide sempre ver a sua cidade numa outra perspectiva. O início da viagem terá que ser sempre num miradouro e, felizmente, existem dois ao pé da casa de X. Agarra num lençol de bom linho, vai até ao miradouro, ata-o a várias partes do seu corpo, desde os pulsos aos tornozelos e depois é só subir para o parapeito abrir os braços e deixar o vento fazer o resto.
X adora Lisboa vista do céu, é uma cidade que esconde muitos jardins interiores, muitos segredos, muitas ruelas quase secretas. É bom vê-la assim e tirar uns quantos retratos mentais.
O problema destas viagens é sempre o mesmo, a descida. Por muito que se tente retornar ao lugar da partida, as fortes correntes das sete colinas pregam-nos valentes partidas e já não é a primeira vez que X atravessa todo o rio e abraça o Cristo Rei. O caminho de volta torna-se penoso. Mas quando consegue aterrar ao pé de casa, tudo corre bem.
Ultimamente X tem visto mais pessoas com um lençol de bom linho atado ao corpo.
04.06.08
organização
X é um bocado desorganizado e pouco arrumado nas imensas tralhas que tem em casa. A sua última grande aventura aconteceu há pouco tempo. Um aparelho estragou-se, X encontrou com facilidade a garantia e factura de compra e eis que quando embrulha o aparelho para o ir entregar não descobre a factura. A aventura começa aqui. O papel estava mesmo aqui, guardado porque ia ser necessário. É apenas uma folha A4. Bolas, tem que estar aqui pois nunca saiu daqui.
X, angustiado, começou a ver todas as prateleiras, gavetas, caixas onde mete mais papéis, dentro de caixas de produtos e caixotes de diversificados. Nada, o papel nunca mais apareceu e, pior, não pode culpar a mulher-a-dias, pois faz-lhe falta nem que seja uma vez por semana.
Esta aventura terminou com a reorganização de toda a papelada, gaveta por gaveta, estante por estante, caixa por caixa. Papel? Nem vê-lo.
04.04.08
céu e inferno
Uma das aventuras mais fantásticas do Mr. X foi, sem dúvida, a dupla entrevista de emprego para o céu e para o inferno. X era top no que fazia e interessava aos dois lados, pois as suas capacidades eram valorizadas em ambos os campos.
A primeira foi no céu, onde um arcanjo o esperava com mau temperamento pois o lugar também era por ele pretendido.Voou-lhe à frente indicando o caminho para a porta de S. Pedro que já estava impaciente pelos dois minutos de atraso.
” Ouvi dizer que que o seu livro preferido é Entre o Céu e o Inferno…” perguntou asperamente. X encolheu os ombros e anuíu. “Também ouvi dizer que um dos seus filmes preferidos é o The Prophecy, certo?”. X novamente encolheu os ombros num trejeito concordante.
S. Pedro, vociferante, gritou “Mas oiça lá, como é que o céu pode saber o que você quer, se este ou o inferno?”
Realmente, ambas as peças criativas abordavam esses grandes espaços mostrando o mal do céu e o bem do inferno.
X decidiu não responder e pediu a S. Pedro que colocasse essas mesmas questões ao patrão divino. S, Pedro, furioso, estancou esbracejando e espumando “Ok, Ok! Deixe-nos reflectir no seu curriculum vitae.”
O arcanjo desceu X até casa, numa noite bem escura para não serem vistos.
No dia seguinte, outro arcanjo veio ter com X na esperança de o levar à presença do diabo. X, que já tinha visitado um dos lados e desejando ser imparcial, concordou com o convite e lá desceram 1001 andares para o centro da terra num elevador muito especial.
De frente para Satanás, que não tem um porteiro, ouviu exactamente as mesmas questões sobre o livro e o filme. As respostas foram idênticas e Satanás, coçando a barbicha, fez um pouco de sapateado com os seus cascos bem tratados enquanto decidia o que fazer.
Finalmente, ofereceu a X um vencimento um pouco abaixo do dele “Sabe, politiquices”…
Do céu e ouvindo a conversa através de um telefone vermelho, atiraram-lhe com a mesma proposta mais senhas de gasolina.
X pediu um dia de reflexão.
Passeou no jardim com o seu cão, quando uma criança ao brincar ofereceu um malmequer ao cão.
X ficou contente, pois atrás da criança surgiu uma aflita mãe, belíssima e com tudo no lugar.
Sorriram um para o outro e passaram a tarde no jardim, sentados num banco a conversar, enquanto a filha brincava com o cão.
No dia seguinte X pediu mais um dia. E outro e outro e outro.
seriados
Em 24 horas, X atirou-se de um prédio e, que nem um herói, até se safou voando num bocadinho. Mesmo assim teve que ser submetido a uma operação plástica em Miami. Depois foi tatuar o corpo todo e foi preso nem sabe muito bem porquê. Dos 4400 prisioneiros desta prisão de alta segurança, conseguiu fugir com outros tantos e infiltrou-se numa equipa de investigação criminal. Era a melhor forma de apagar os seus passos. Contudo, gostava de embrulhar em celofane algumas pessoas mesmo más e retalhá-las largando-as no mar. Depois ia beber um copo a um bar onde só iam homosexuais femininas. Encantou-se com uma delas, que estava desesperada e que não era bem lésbica. Nesta altura começou a faltar o dinheiro e ainda tinha uma lista de maus acontecimentos de que se queria redimir. Apostou forte na venda de erva como sócio de uma bela mulher e mãe de família. O problema maior foi quando percebeu que as bombas nucleares andavam a explodir por todo o lado, menos numa pacata aldeia. Ele, que era um MadMan publicitário, tinha agora que gerir todo um escritório de advogados. Fê-lo tão bem que foi metido numa equipa de especialistas em encontrar pessoas desaparecidas. Mas foi numa dessas buscas que aterrou numa ilha e acabou por levar um tiro. Descobriram-lhe as ossadas e refizeram-lhe digitalmente a cara. Assim nunca seria um caso por terminar.
04.03.08
Play
X tem uma mãe velhota que até se pode considerar avó. Mas sempre foi uma lady muito à frente, mesmo que os feitios de ambos colidam em quase tudo. É uma forma de vida.
X, como filho pródigo, oferece à mãe aparelhagens Audio, televisores como deve ser, VHS para ela rever as viagens que faz e, mais recentemente um dvd para ela rever as viagens que faz.
Ora uma mãe teimosa é difícil de quebrar e em 10 anos, uma década portanto, X ainda não conseguiu ensinar à senhora o que é o Play, o Stop e o Eject, para não falar das outras capacidades técnicas dos aparelhos.
A mãe de X comprou dvds no outro dia e, repare-se, um deles foi com o Marlon Brando nú, com aquela cena da manteiga. “Na minha altura não se podia ir ver isto ao cinema”, explicou e foi aí que o dvd foi oferecido, pois ela pensava que podia vê-los no VHS.
X tenta há 10 anos explicar-lhe as funções mais básicas dos aparelhos, mas tudo lhe faz confusão. Mesmo apontando o Play do DVD que é igual ao Play do VHS que é igual ao Play do Hifi.
Ela escreve tudo em papelinhos, passo por passo e isso quebra a paciência de X.
Ok, a senhora diz que a cabeça já não é o que era… mas há aqui uma questão. O televisor é uma série especial e toda catita da Philips. Tem dois telecomandos; um muito simples com o volume o a mudança de canais e outra que se abre em três partes cheias de botões, comandos, controlos, o diabo a quatro. Pois é este mesmo que a senhora usa. Sabe ir à programação online, ao teletexto e a todo o lado. Mas continua sem saber para que serve um Play. Que, curiosamente, também lá está.
04.02.08
Cool
Há uma imensa diferença no aviso “mantem-te cool” para a exclamação “És cool!”
No outro dia, X foi saír com uns amigos. Jantou-se bem e já saímos meios cool.
Depois apeteceu-nos ir beber uns copos às discos da moda. Tudo cheio, nada cool.
Conseguimos uma mesa num bar que nem sabíamos que existia. E a conversa prolongou-se regada com irlândes. O problema é que uns ficaram mais cool que outros. E enquanto esses continuavam os seus quase monólogos, os restantes já estavam mais virados para o outro lado e desejavam ir embora.
“Isso não é cool!” responderam os que estavam cool. Entretanto um dos menos cool levantou-se e escorregou, partindo alguns copos e atiirando com a cadeira ao chão. O dono do estabelecimento acercou-se dele e disse-lhe “Epá, mantenha-se cool.”
Quase que houve uma reacção negativa a este pedido. E à medida que os insultos e empurrões aumentaram, já não se sabe por culpa de quem, a noite que tinha sido cool passou a não sê-lo.
E no dia seguinte a dor de cabeça prevista não foi mesmo nada cool.
04.01.08
Hollywood
MR. X CONVIDADO PARA SUBSTÍTUIR DEZENAS DE ARGUMENTISTAS DE HOLLYWOOD
LA Times, 1st April, 2000 and eight
Mr X was invited to take charge of enumerous scripts after the writers strike.
The work must be done till next week and he is free to choose his team.
He said to our correspondent in Lisbon, Spain, that he is thinking about it.
But certainly the answer can be positive.
This is the first time that USA ask help from a brazilian speaker after Diurón Barrozo.
apito
X acordou hoje bem cedo com o toque do rapaz dos CTT. Esperava mais convites das finanças, mas desta vez era um embrulho, pequenito mas com um papel dourado que raiava a foleirada.
X assinou o documento e ainda foi dormir mais um par de horas. Quando reacordou tinha-se esquecido completamente do pacotinho e quando o reencontrou ficou curioso. Ao abri-lo descobriu um apito dourado. “Raio de coisa”, pensou. Mas ali ficou com ele na mão. Decidiu apitar uma vez. Logo de seguida toca o telefone. Era L, a sua mais bonita namorada de sempre, que se queria reencontrar porque estava cheia de saudades e tal. X não recusou e marcou jantar para amanhã. Contudo, achou estranha demais a coincidência e decidiu apitar outra vez. O telefone tocou e era S, a segunda mais bonita namorada de X. Também queria colo e mimo, depois de tanto tempo. X pensou durante uns segundos e marcou jantar para depois de amanhã.
Agora estava mesmo convencido que o apito era dourado, não só pela cor, mas pelos factos.
Decidiu ir à rua e, num cruzamento complicado ao pé de casa, apitou. Todos os carros pararam para o deixar passar. X já nem estranhou e se um sopradela dava nisto, o que dariam duas sopradelas? Ao andar no passeio e sem qualquer objectivo em mente, soprou duas vezes. Um homem estancou o seu belo Alfa Brera, acercou-se de X, deu-lhe a chave, os documentos e uma declaração a dizer que oferecia a máquina.
X agora tinha outras razões e outros cuidados para soprar no apito dourado. O que aconteceria se fosse a um estádio de futebol, onde nunca esteve para ver um jogo?
Ora escolheu um do FCP contra uma equipa qualquer. Apitou três vezes e o árbito deu por concluída a jogatina, passavam 12 minutos do início.
Ficou atordoado e esquivou-se do guarda Abel mesmo a tempo de todo o Dragão ser destruído.
Depressa foi a correr para a Polícia, para entregar este apito manhoso.
Depois meteu-se no bonito Alfa e lembrou-se que tinha dois jantares, amanhã e depois. Voltou novamente à esquadra, pediu o apito só para uma sopradela final e longa. Entregou-o e saíu quando o telefone tocou. Era a L aflita pela possível desmarcação. Havia uma chamada em espera e era a S aflita também pela mesma possibilidade.
X entrou no modo conferência e, arriscando tudo, perguntou “e que tal juntarmo-nos os três?”.
As raparigas ficaram extasiadas e X não conseguiu evitar um longo e aberto sorriso.
Depois de X ter abandonado o norte, a Polícia também soprou. E hoje fala-se de 6 pontos e exclusão do Pinto.






























